sexta-feira, 19 de novembro de 2010

- A uma mulher.



Não tendo podido te criar
Nem tendo sido criado por ti
Eu me vingo do destino enxertado-me no teu ser.
Jamais conseguirás te libertar de mim
Porque eu te sitiei com a chama do amor,
Porque rondei durante dias e noites o Coração de Deus
A fim de extrair dele o segredo da ternura.
Todos os que te olham pensam logo em mim,
Todos os que me olham pensam súbito em ti.

Eu sou tua cicatriz que nunca se há de fechar.
Eu te perseguirei até depois da minha morte
E virei a ti no murmúrio dos ventos, no lamento das ondas,
Na angústia e na alegria dos poetas meus sucessores,
Nas almas grandes limitadas pelo físico.
Sentado nas nuvens esternas eu te esperarei
E me nutrirei através dos tempos da nostalgia de ti.

PS: [Murilo Mendes - Poesia Completa e Prosa]

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